Quais são os principais indicadores de sustentabilidade que o produtor rural deve acompanhar?
Parajara Moraes Alves Junior, contador especialista em agronegócio, enfatiza que tratar do tema sustentabilidade deixou de ser pauta de evento corporativo e passou a ser critério real de acesso a crédito, mercados e investimento no campo. O produtor rural que ainda não acompanha indicadores de sustentabilidade em sua propriedade está operando com uma lacuna que o mercado já começou a cobrar.
O agronegócio brasileiro responde por cerca de 25% do PIB nacional e é um dos setores com maior pressão internacional por práticas sustentáveis comprovadas. Exportadores de soja, carne e celulose já enfrentam exigências de rastreabilidade e conformidade ambiental de compradores europeus e asiáticos. Essa pressão, que antes ficava restrita às grandes tradings, agora chega às porteiras das fazendas de médio porte.
Continue lendo para entender quais indicadores de sustentabilidade fazem sentido monitorar na realidade do produtor rural brasileiro e como essa medição se conecta à gestão financeira e ao planejamento patrimonial da propriedade.
O que são indicadores de sustentabilidade na prática rural?
Parajara Moraes Alves Junior explica que indicadores de sustentabilidade são métricas que permitem ao produtor medir o desempenho da propriedade em três dimensões: ambiental, social e econômica. No campo, isso se traduz em números concretos e acompanháveis, não em discurso.
Na dimensão ambiental, os indicadores mais relevantes para o produtor rural incluem o percentual de área de reserva legal preservada e averbada, o uso de água por hectare produtivo, a quantidade de agroquímicos aplicados por tonelada produzida e a situação do CAR (Cadastro Ambiental Rural) junto ao Sicar. Esses dados já são exigidos em financiamentos do Plano Safra com taxas diferenciadas e em alguns contratos de venda para o mercado externo.

Por que os indicadores sociais também importam para o produtor?
Parajara Moraes Alves Junior elucida que a dimensão social da sustentabilidade é a mais negligenciada nas propriedades rurais brasileiras, mas é a que mais cresce em relevância para certificações, auditorias de cadeia e acesso a mercados premium.
Indicadores sociais no contexto rural incluem regularidade dos contratos de trabalho, cumprimento das obrigações com o eSocial Rural, acesso dos trabalhadores a condições adequadas de moradia, alimentação e segurança no trabalho, e envolvimento da propriedade com a comunidade local. Esses elementos compõem o que protocolos internacionais como o RSPO (para palma) e o RTRS (para soja responsável) chamam de conformidade social.
Para o produtor que não exporta diretamente, esses indicadores ainda têm relevância interna: propriedades com passivos trabalhistas não regularizados carregam um risco patrimonial real, que pode comprometer o inventário, a obtenção de crédito e até a transferência do imóvel em um processo de compra e venda.
Como começar a medir sustentabilidade sem complicar a gestão?
O erro mais comum é tentar implementar um sistema de indicadores complexo de uma só vez. O resultado é abandono rápido e frustração. O caminho mais eficaz começa com um conjunto pequeno de métricas essenciais, medidas com regularidade e registradas de forma simples.
Parajara Moraes Alves Junior sugere que o produtor comece pelos indicadores que já têm obrigatoriedade legal ou que estão diretamente ligados ao acesso a crédito: situação do CAR, conformidade com o Código Florestal, regularidade do ITR, situação do eSocial e custo operacional por hectare. Esses cinco pontos já formam uma base sólida de monitoramento.
Sustentabilidade como vantagem competitiva, não como obrigação
A regulação ambiental e social sobre o agronegócio brasileiro seguirá se intensificando nos próximos anos, tanto por pressão interna quanto por exigências de mercados internacionais. O produtor que tratar os indicadores de sustentabilidade como ferramenta de gestão, e não como custo de conformidade, sairá na frente em acesso a crédito com melhores condições, abertura de mercados mais rentáveis e valorização do patrimônio rural no longo prazo.
Como resume Parajara Moraes Alves Junior, medir para gerir é um princípio que o agronegócio moderno já incorporou na produtividade. Aplicar esse mesmo princípio à sustentabilidade é o próximo passo natural para propriedades que querem continuar competitivas.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez




