Política

Brasil a 100 dias das eleições: quem são os candidatos, o que dizem as pesquisas e o que está em jogo

Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro de 2026, o país entra na reta final de articulações antes das convenções partidárias. Lula lidera as pesquisas, Flávio Bolsonaro consolida a oposição e o calendário eleitoral começa a consumir toda a agenda política.

O relógio eleitoral já está em marcha acelerada. O Brasil está a menos de cem dias do primeiro turno das eleições gerais, marcado para o dia 4 de outubro de 2026, e o cenário político começa a se definir com contornos mais claros: candidaturas se firmam, alianças se formam e a disputa pela presidência da República apresenta hoje um perfil radicalmente diferente do que se imaginava há dois anos. Dois nomes dominam as pesquisas de intenção de voto, e os próximos meses devem ser decisivos para consolidar ou redesenhar esse quadro.

O levantamento da American Analytics, divulgado pela Times Brasil com base em 2.000 entrevistas realizadas entre os dias 11 e 15 de junho de 2026 e registrado no TSE sob o número BR-09521/2026, aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na liderança isolada das intenções de voto no primeiro turno, vencendo todos os confrontos diretos simulados nos cenários de segundo turno. O senador Flávio Bolsonaro aparece consolidado na segunda posição, seguido pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado. A disputa, portanto, desenha-se como uma continuidade do embate ideológico que marcou 2022, desta vez sem a presença direta de Jair Bolsonaro. Gazeta do Povo

Por que Bolsonaro não está na cédula

A ausência do ex-presidente nas urnas de outubro é resultado de uma sequência de decisões judiciais que moldaram o cenário eleitoral atual. Bolsonaro foi declarado inelegível até 2030 em junho de 2023, por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação após atacar o sistema eleitoral em reunião com embaixadores em 2022. Em setembro de 2025, foi condenado a 27 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado de 2022 e 2023. A impossibilidade de concorrer levou o ex-presidente a transferir sua candidatura ao filho mais velho. Flávio Bolsonaro, atual senador pelo Rio de Janeiro, foi lançado como candidato do campo bolsonarista em dezembro de 2025, após carta do próprio pai confirmando o apoio. WikipediaWikipedia

A entrada de Flávio Bolsonaro na disputa consolida a direita em torno de um único candidato com o capital político da família, mas gera dúvidas entre analistas sobre o alcance eleitoral de uma candidatura que depende fortemente da lealdade ao pai e menos de uma trajetória própria de liderança nacional. A capacidade de o senador ampliar a coalizão além do eleitorado já convicto será determinante para o resultado de outubro.

O calendário que vai engolir a política nos próximos meses

A partir de agora, o calendário eleitoral é quem dita o ritmo da política brasileira. De 20 de julho a 5 de agosto, partidos e federações realizam convenções partidárias para deliberar sobre coligações e escolher candidatos que concorrerão aos cargos de presidente, governadores e parlamentares. Os pedidos de registro de candidatura devem ser apresentados à Justiça Eleitoral até 15 de agosto. No dia 16 de agosto, tem início a propaganda eleitoral nas ruas e na internet. Até lá, o espaço de articulação nos bastidores ainda é relativamente amplo, e decisões sobre vice-presidentes e coligações podem mudar o equilíbrio de forças. Tribunal Superior Eleitoral

Para além dos dois principais candidatos, o campo eleitoral inclui ainda nomes como Ronaldo Caiado pelo PSD, Romeu Zema pelo Novo, Ciro Gomes pelo PSDB e Aldo Rebelo pela Democracia Cristã, além de candidatos de partidos de esquerda e de menor expressão eleitoral. A fragmentação da terceira via, historicamente incapaz de se unir em torno de um único nome, repete o padrão das últimas eleições e beneficia os dois candidatos à frente, que polarizam a disputa desde o início. JOTA

O peso das eleições sobre a agenda do Congresso

A proximidade das eleições tem consequências diretas sobre a capacidade do Congresso de avançar em pautas estruturantes. Projetos de lei de grande relevância, como o Marco Legal da Inteligência Artificial, enfrentam resistência para avançar em ano eleitoral, quando a lógica da campanha tende a sobrepor a agenda legislativa. O governo federal, por sua vez, precisa equilibrar a necessidade de mostrar realizações que fortaleçam a candidatura de Lula com as restrições impostas pela legislação eleitoral, que proíbe a distribuição gratuita de bens e benefícios por parte da administração pública até o fim de dezembro de 2026.

Desde 1º de janeiro de 2026, pesquisas de opinião relacionadas às eleições ou a possíveis candidaturas devem ser registradas no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais do TSE até cinco dias antes da divulgação, para garantir a transparência e a confiabilidade das informações no processo eleitoral. A regra reflete o esforço institucional de colocar a disputa eleitoral em bases mais transparentes após os episódios de 2022, quando pesquisas e resultados apresentaram distâncias significativas. Tribunal Superior Eleitoral

O que está em jogo além da presidência

Outubro de 2026 não decide apenas a presidência. Estão em disputa também os governos de todos os 26 estados e do Distrito Federal, 513 cadeiras na Câmara dos Deputados, 27 vagas no Senado Federal e as assembleias legislativas estaduais. A composição do próximo Congresso será tão decisiva quanto o nome do próximo presidente, já que é no Legislativo que se aprovam reformas, orçamentos e as grandes mudanças que afetam a vida dos brasileiros por décadas. O Brasil que vai às urnas em outubro carrega sobre si a responsabilidade de escolher não apenas um gestor, mas a direção que o país vai tomar nos próximos quatro anos em áreas tão diferentes quanto economia, segurança, meio ambiente e relações internacionais.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo